sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Palavras dignas de um louco!

Não consigo mais controlar minha loucura. Sinto que já estou atingindo uma nova fase, avanço mais e mais a cada semana. Meus distúrbios emocionais são cada vez mais intensos. Ontem me entreguei a uma explosão de cólera, nunca tinha deixado ela se exteriorizar, me irritava sempre e me irrito, mas o fato é que eu nunca tinha visto isto do lado de fora. Nesses últimos dias estou com uma obsessão tamanha por ser sincero, que se percebo que estou sendo um pouquinho hipócrita, já é motivo para a auto-punição. E me irritando ao máximo com uma circunstância tola, onde feito um serviço errado, tentaram fazer eu reconhecer meu erro dizendo que sempre fazia tudo errado. É claro que eu não faço tudo errado, de 20 serviços, talvez um saia errado, mas enfim, ignaros sempre generalizam. E o fato é que eu estava com pressa, tinha que ir até o centro de Curitiba na biblioteca trocar meus livros, já tinha-os em mente, Shakespeare e Bakunin. Naquela pressa minha cólera explodiu como nunca havia sido antes. Comecei a falar muito alto e a gesticular feito um louco, as razões desciam estampadas na minha mente, eu não deixava espaço para ninguém tentar me persuadir de algo diferente. Fiquei abismado depois da sessão, me orgulhei imensamente de mim mesmo, de poder alcançar o grau máximo da sinceridade, e não reprimir minha cólera. Me senti um Beethoven nos seus ataques de cólera. Depois disso me senti brando, calmo, o sangue corria tão alegre pelas veias...
Ora me sinto tão excitado emocionalmente, que desato em risadas, não gargalhadas, para que meus pais não pensem que eu cheguei a um ponto tão crucial. Bom, fato é que percebo que algumas coisas se repetem em mim com alguma frequencia, como esses ataques de riso. São coisas absurdamente idiotas que me fazem rir. Às vezes tenho vontade de ir a algum cemitério, desde garotinho eu sempre adorei ir aos velórios, lá dentro tinha alguém em prantos do lado do caixão, lá fora os outros falavam sobre negócios, contavam piadas, nós ficávamos correndo por dentre os túmulos, alguns ousavam pular em cima deles, eu não tinha nem medo, nem desconsideração, de qualquer forma aquele lugar me atraía e muito.
Por agora, estou absolutamente apaixonado pelo teatro, se pudesse estar todos os dias lá, estaria. Mas nem todos os dias tem espetáculo, nem todos os dias eu posso, nem todos os dias a galera aqui tá disposta a me dar uma carona. Bom, mas quero pular de ponta cabeça nesse mundo encantado e mágico da arte e da loucura, que se danem os outros. Começo com Shakespeare, juntando tudo que peguei dele para ler, soma umas 12 tragédias dele, ora, bom começo. Quero ler o teatro grego, e todos os outros grandes dramaturgos e autores de peças de teatro. Nomes martelam na minha mente: Bakunin, Wagner, Schoppenhauer, Schumann, Thaikovsky, todos apresentavam algum tipo de distúrbio emocional. Eu não admiro esses caras por opção, não, eu simplesmente me identifico com o caráter de cada um deles, que apesar de serem tão diferentes entre si, no fundo não passam de maníacos lunáticos, e é isso que me chama a atenção. Caras como Schubert, Mozart, Kant, Descartes, Haydn, são todos lúcidos, são todos normais, e fato é que eu os admiro na sua arte, no seu pensamento, mas não no seu caráter. Eu não sinto por ter essas inclinações, eu as tenho, as cultivo por saber que são minhas características, jamais quero ser ou voltar a ser hipócrita. Quero ser sincero em todos os lugares, quero seguir meus pensamentos, quero seguir minha arte, minha intuição, minha voz. E nada mais vai tirar essa minha devoção.
Às vezes fico quase depressivo, quero estar longe, questiono o por quê de ter que estar aqui, quando em verdade poderia estar em tantos outros lugares. Era autista, hoje não sou mais. Mas quando pareço estar quase atingindo a lucidez plena de minha existência, tenho crises, não sei em que pensar, não sei que fazer, parece que eu não deveria estar aqui, é como se uma força me privilegiasse com tantos talentos para ter sucesso, e outra força me jogasse na mesmice de todos os dias. Penso às vezes, que se tivesse tido em meus primeiros anos um estudo sistemático, talvez me teria tornado um prodígio. Por vezes imagino que sou um predestinado à castidade e santidade eterna, que devo me aprofundar em estudos religiosos, na busca pela purificação do espírito, pela ascensão espiritual. Penso também que posso ser um novo filósofo, que irá contribuir muito para o pensamento filosófico. Penso que posso ser um compositor ilustre, um pintor, um escritor de contos, alguém que veio para amar outra pessoa e morrer por ela. Ou se sou apenas um louco. Deixe que o tempo fale por mim, vou continuar na minha sinceridade e hei de descobrir quem sou e que missão tenho aqui.

Um comentário:

  1. que interessante, simplismente amei e senti que você foi bem profundo nos seus pensamentos!

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