quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A chuva

Tardes chuvosas, e eu encolhido no canto do sofá, olhava lá fora, o céu fechado, as gotas batendo no chão, se juntavam a outras que escorriam pelo canto do asfalto. Nesse momento é que eu me sentia absolutamente sozinho. Aquele era o momento mais privado que eu tinha com minhas lembranças. A chuva trazia tantas e tantas coisas, momentos bons, momentos tão diferentes, fragmentos de vida e de felicidade que se passaram e que já não existem, mas que eu os cultivo religiosamente em minha memória. É como se o tempo estivesse parado, como se os deveres a fazer não existissem, como se aquela chuva, caindo ali, fosse exclusivamente para eu vê-la, para eu contemplá-la e lembrar que minha vida era, contudo, boa. Que eu e a chuva tinhamos qualquer coisa em comum, qualquer impressão, qualquer essência. Eu em silêncio, e ela a falar. No toque de suas gotas no chão, na parede, no vidro, eu podia ouvir um doce canto que invadia minha alma, que dizia Somos irmãos. Somos o mesmo, eu e tu, na tua solidão somente eu estou aqui para te amparar, te falar, te fazer não se sentir sozinho. Eu que te mostro neste momento, o quanto a vida tem sido boa pra ti. O quanto tu tens desfrutado dos bons momentos como aquele que passavas com teu avô. Ah, meu avô...!
Transparece em tua face a tristeza ao lembrar-te do teu velho. Lembras de quando saías a passear pelo parque em dias de sol? Te comprava sorvetes, brinquedos, livros, tantas coisas. Quanto te ensinou, quanto foi bom para ti, quanto te amou. Que serias de ti hoje, se ele não tivesse feito por ti o que fez. Agora já não tem ele aqui. E não há nenhuma outra pessoa no mundo que possa te amparar como ele, que possa te ensinar com o amor que ele ensinava, que te faça forte. Terás de aprender a viver sem ele. Choravas quando ele dizia que ia partir um dia, e que era hora de usar o que aprendera com ele. Pensavas tu, que esse dia nunca chegaria, que o destino não seria cruel em tirá-lo de ti. Que a vida sempre fora perfeita com ele, e que com ele não saberias viver. Mas o dia chegou, e o destino levou-o para longe de ti. Foi então que percebeste quão cruel é a vida, e quão solitários somos sem o amor.
Pensamentos tão melancólicos, tão tristes, acompanham todos os meus dias. Trazendo e levando. Assim faz a chuva que continua a cair, lentamente, branda, serena.

sábado, 29 de agosto de 2009

Nós somos

Meu, foi tempo pakas! Pensei que nem existisse mais esse meu espaço aqui. Mas ele está aqui e vamos aproveitá-lo. Afinal, nada mais efetivo que demonstrar nossos sentimentos através da música e da escrita. Então, vamos escrever. Eu pensei várias vezes até em dispor aqui algumas composições minhas, mas não sei se é jogo. Se alguém aqui gosta de música erudita iria gostar. Tem algumas pra violino, piano, trompete. É incrível como algumas melodias ficam por dias na nossa mente, martelando, como algumas frases também, que enquanto você não as joga no papel elas não sossegam. Parece uma coisa mística, sei lá, elas simplesmente aparecem. Eu cansei de sentar na frente do computador para compor, e as melodias vem surgindo, e são lindas! E da onde vem tudo isso? Será um anjo que mas envia? Quem sabe. Eu acredito nessas coisas.
Estou cursando RH numa facul aí de Curitiba mas definitivamente não é isso que eu quero. Gosto só da Psicologia e do Comportamento Social que tem lá. Folha de pagamento, Empreendedorismo, Leis Tributárias, meu, tudo isso é tão chato! O fato é que eu sou um cara extremamente subjetivo, autista por vezes. Só não sei se essa minha subjetividade vai me atrapalhar nesses tempos. É evidente que meu caráter não combina nem um pouco com tecnologia, múltiplos sistemas de comunicação, e contas e mais contas. Se eu fosse objetivo e gostasse de matemática me daria muito melhor, mas enfim, eu sou como sou e isso não vai mudar. Às vezes eu penso até que nasci numa época errada. Cansei de ler sobre os compositores românticos do século XIX, e aos 15 anos eu era tão obcecado por tudo aquilo; os homens com suas cartolas, paletós e escrevendo com nanquim. Nas suas carruagens, passeando pelas ruas de Viena, a "Cidade da Música". Mas cá estamos nós, em pleno século XXI, em meio a tantos conflitos e revoluções no mundo. E, querendo ou não, nosso espaço sempre há de estar à disposição. Podemos ainda revolucionar o mundo! Nós, quem? Nós, românticos, músicos, artistas, revolucionários! Prepotência? Claro que não. Hoje, graças aos meios de comunicação temos toda a História embaixo do nosso nariz. E somando isso à nossa infinda capacidade de criar, podemos sim, nos sobressair. A princípio, vou cursar Música e Filosofia e mais pra frente aí, vamos ver o que dá. Otimistas sempre, e caminhando, nossa bandeira há de hastear.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Família

Compreensão e reconhecimento, é o que todo mundo precisa. Eu queria usar esse espaço para dizer quão grande é minha gratidão por essas pessoas tão prestigiosas que estão tão perto. Eles são amáveis, compreensivos, fortes, batalhadores, insuperáveis, minha família. Meu pai é gráfico, impressor. Lembro de quando meu pai tinha de pegar quatro ônibus para chegar no serviço, trabalhava do outro lado de Curitiba. Quando ele de manhã saía para o serviço, eu e meus irmãos estávamos dormindo, quando ele chegava, também já estávamos na cama. Falávamos com ele só nos fins de semana. Ele nunca podia sair com a gente, tinha que descansar. Sempre batalhando para conseguir pagar as dívidas e criar os filhos. Ele sempre teve um sonho, que era trabalhar por conta. E ele sabia que um dia esse sonho se realizaria. Chegado um momento vendeu nossa casa, e conseguiu montar a gráfica. Hoje, todos trabalhamos juntos, para nós mesmos. E hoje eu percebo o quanto foi doloroso todos aqueles anos de sofrimento para meu pai. Mas valeu a pena, e hoje com 45 anos ele já realizou um de seus maiores sonhos. É um verdadeiro herói.
Minha mãe sempre trabalhou fora como diarista, para ajudar no orçamento da casa. Chegava sempre muito cansada, ainda limpava a casa, preparava o alimento, e dava atenção e carinho para nós. Sempre foi muito presente, nas reuniões da escola. Sempre nos apoiou nos estudos e sempre nos defendeu. Em nenhum momento minha mãe nos abandonou, sempre demonstrou através de gestos e ações seu amor incondicional. Hoje, ela já não precisa trabalhar fora, mesmo assim ela insiste. Usa o dinheiro dela para comprar apenas tecido e confeccionar suas roupas. A renda da gráfica dá conta de todas as despesas da casa. E tudo graças ao tremendo esforço de meu pai e apoio de minha mãe. Ambos sempre nos ensinaram a ser honestos. Meu pai nos ensinou a ser comunicativos, e minha mãe nos ensinos a ser amáveis, sensíveis e compreensivos. Somos uma família verdadeiramente unida.
Meu irmão, que é apenas um ano e cinco meses mais velho que eu, sempre me acompanhou. Na infância vivíamos juntos, ele nunca deixava ninguém me bater. Sempre se doía por mim e me defendia. Apesar das brigas, sempre demonstrou seu amor e cuidado por mim. Partilhava tudo, nunca me deixou sozinho. Sempre reconheceu os nossos direitos. Quando eu estava na 1ª série, e ele na 2ª, mostrou-se solícito para me ensinar a ler e a escrever. Aprendi muito rápido, tinha facilidade com as palavras. E seu apoio foi indispensável, graças a ele eu percebi o grande valor que tem um irmão. Verdadeiramente um companheiro.
Minha irmã é sete anos mais velha que eu, e claro, ela apoiou imensamente minha mãe. Cuidava de mim e de meu irmão, fazia o essencial. Começou a trabalhar muito cedo, como babá. Estudava, trabalhava, e ajudava minha mãe a cuidar da casa. Muito carinhosa, também sonhava com o futuro. Trabalhou bastante e hoje já está casada. É muito feliz com seu marido e sua casa. Sempre vamos visitá-la e nos trata com muita cortesia. E eu espero com expectativa um sobrinho. Ainda não engravidou, mas espero que logo...
É basicamente o que temos vivido em família. Dificuldades sempre tivemos, mas nada que não pudemos superar. E com a ajuda de Deus creio que realizaremos nossos sonhos.

domingo, 29 de março de 2009

Ela se foi

Hoje eu tive que terminar mais um relacionamento. Contra minha vontade, mas fui obrigado. Eu a amava, mas infelizmente se continuássemos juntos eu comprometeria meus princípios. E eu não quero perder assim tudo o que eu demorei pra conseguir. Foi triste. Ainda ontem eu prometia pra ela que nunca a abandonaria, que nunca a trocaria por ninguém. E hoje tudo se desfez. Não vou conseguir esquecer tão cedo ela chorando e dizendo Você disse que não ia me deixar, Você prometeu. Mas agora é tarde, não há nada a fazer. Só temos que aceitar. Ela me fez tão bem. Eu não queria que acabasse assim. Eu planejei tantas coisas, eu sonhei tanto, e agora tudo é passado, e nada vai mais voltar. Vou seguir em frente.
Sistema de valores. Não existe escolhas assim. Ou você segue sua consciência ou você vive de mal com você mesmo. E eu não quero viver de mal comigo. Eu tinha que escolher, ou ela, ou meu ministério. E eu escolhi o ministério. Bom, o certo é que eu vou ter mesmo que esquecer ela e tentar um futuro com alguém do lado de cá da cerca. Como dizem A paciência é uma virtude. Tenho que cultivar agora essa virtude, até porque encontrar outra como ela vai ser difícil. Era tão bom estar com ela. Quando ficávamos no sofá ou quando deitávamos na varanda. Os abraços e os beijos eram os melhores. Foi tudo tão bonito, ela era mesmo uma princesa. Vou sentir muito a sua falta, mas não dá para ficar se lamentando. Foi bom, acabou, a vida continua. Passado eu quero mais é jogar um véu branco e esquecer. Vou me empenhar e construir um futuro, eu quero viver, e viver bem.
Por mais que eu a esqueça, as boas lembranças do nosso amor sempre vão estar gravadas em mim. Desejo toda a felicidade do mundo para ela. Ela fez muito para que a gente pudesse ficar juntos. Ela também lutou, e eu considero muito o que ela fez. Eu queria mesmo, de coração, passar o resto da minha vida ao seu lado, mas não posso. Sentirei a sua falta.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Grande Ilusão

E aquele cara pulando no tablado e gritando por Jesus! Ele era eloquente, articulado, sabia o que estava fazendo. Dominava totalmente a intensidade da voz. Sabia quando era hora de falar baixo e concentrado para atrair a atenção e quando tinha de gritar e fazer o povo esbravejar Amém. Num momento eu fitei seu rosto moreno e fosco. Aquela expressão de agonia. E com a ajuda da luz que vinha da única lâmpada acesa em frente ao tablado eu vi que lágrimas corriam pelo seu rosto. Eu só não sei se eram de emoção deveras, ou se era de tristeza por ter de ficar todo aquele tempo em pé, andando pra lá e pra cá, tagarelando e encenando. Opa! Falei demais? Não, creio que não.
De a pouco desce o rapaz moreno de cabelos longos, e sobe um gordo. Aee, agora sim, era o pastor. Ele começou seu discurso de uma forma curiosa, com o famoso pensamento cartesiano "Penso, logo existo". Começou a tagarelar sobre o existencialismo. Cara, e o que isso tem a ver com o Evangelho? O que é isso? É evangelização, aula de Filosofia ou mostra de erudição? Ele queria impressionar. Mas ainda acho que falar de filosofia para um bando de ignorantes não era o melhor caminho. Poderia confundir a cabeça dos fiéis e atrapalhar na renda dos trocos depois.
À minha frente, bailava duas moças ao ritmo da bateria. Ora corriam ora saltavam. Até que parou a bateria, o rapaz do tablado falava quase sussurrando, com os olhos contraídos, e as duas moças sentaram no chão com as pernas cruzadas e com a cabeça entre as pernas. Permaneceram assim uns 15 minutos. Eu imaginava a dor daquelas duas, naquela posição tão desconfortável por tanto tempo. Que tortura. E o pior que elas não recebiam nada daquele dinheiro que ia no saquinho. O pastor nem pra dar, sei lá, uns 20% daquele dinheiro pra elas. Que egoísta. Saí lá fora, todos se dirigiam para suas casas, a pé, obviamente, e o pastor em seu belo carro seguia, alegre, contente, missão cumprida.
Aqueles jovens que lá dentro faziam cara de choro, franziam a testa, apertavam os olhos, e repetiam tudo o que o rapaz moreno e loquaz dizia, agora lá fora tratavam de banalidades, dispersos, iludidos, contentes. Só queria saber por quanto tempo ainda aqueles jovens vão viver na ilusão de ter alcançado a verdade.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Presente

Liberdade. A arma da felicidade. Livre só é aquele que luta para ser livre. Aquele que luta para conseguir fugir da inércia do dia-a-dia. Aquele que luta para fazer da realidade a mais doce fantasia. Afinal, realidade nada mais é do que aquilo que chamamos realidade.
Eu perdi pedaços de mim nessa trajetória, por criar tantas expectativas, por esperar tanto das pessoas, por desejar a glória infinita. E isso tudo veio a despencar num momento e se transformar em frustração, decepção, fadiga. Mas o tempo passou. E eu superei tudo isso. E agora já não crio expectativas, não espero nada das pessoas, nem desejo glória infinita. Aprendi a amar tudo o que é meu. Aprendi a valorizar meus talentos. Aprendi que a vida não merece tanta atenção. Tudo é tão passageiro, tudo é tão rápido. Num piscar de olhos o dia já foi. E quando ficamos pensando e pensando no futuro, esquecemos que há um presente, que deve ser vivido e desfrutado com todas as nossas energias.
Por isso tudo eu já não penso mais na faculdade, já não me importo se meus amigos vão me amparar quando eu precisar, já não sei se no futuro vou estar com essa garota, não me importo com aquilo que não conquistei, não quero mais pensar se vou conseguir dinheiro um dia para comprar um carro, uma casa, uma bicicleta, sei lá. Não me importo em ter roupas bonitas, não me importo se serei um grande homem, não me importo com o passado, não me importo mais com minha imagem, eu simplesmente não me importo.
Agora basta deixar que a vida me leve para onde eu tiver de ir. Nós não podemos criar oportunidades, mas sim desfrutar delas quando surgirem. Não cabe a nós nos ocuparmos com o que haverá de acontecer. E sonhar não é necessariamente, se ocupar com o futuro. Sonhar é imaginar um futuro que pode acontecer e não que deve acontecer. Sonhar pode ser mais que isso, é viver o futuro da forma mais bela e encantadora, e sem compromisso.
Que o vento sopre, que as pessoas se amem, que o mundo mude, que tudo vá pelos ares, não nos importamos mais, apenas vivamos o presente, e esqueçamos o resto.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sonhos

Bom, cá estamos mais um dia. Felizes, na verdade. Malgrado as dificuldades, hesitações, frustrações, obsessões, estamos felizes. Cada um de nós ama a alguém, cada um de nós cultiva sentimentos, cada um de nós busca a verdade sobre tudo. Tudo isso é verdade, ora, se não fosse assim com algum de vocês, não estaria aqui. Não estaria neste momento, lendo este texto que trata apenas das coisas mais nobres que habitam o ser humano: a verdade e o sentimento.
Será que todos nós, paramos algum dia, e perguntamos para nós mesmos: o que eu quero de verdade?
Eu tinha um sonho, queria entrar para o conservatório e ingressar na orquestra. Consegui. Hoje já não estou mais, nem no conservatório, nem na orquestra. E aí? Será que era meu sonho mesmo? Ora, ele se realizou. Um sonho é aquilo que você mais quer na sua vida. Um sonho é a meta primordial. Se tivesse mesmo sido um sonho, depois de realizado eu não o deixaria ter escapado assim, pelo vão dos dedos, levado pelo vento. Talvez não tenha sido mesmo um sonho, mas naquele tempo, eu me apegava a ele com todas as forças. E hoje, eu vejo, o quanto evoluí por causa deste desejo, que eu pensava ser um sonho, mas não era. Batalhei, e consegui. Mas depois da recompensa, eu caí denovo num profundo vazio. Porque depois da realização, não tem mais nada. Você mergulha naquele mar branco, do silêncio. E fica se batendo até achar outro desejo, e fazer dele outro sonho. E então, você vê, que você cresce quando sonha. E não quando o sonho se realiza. Porque na realização, você vai apenas desfrutar de todo o seu trabalho, de todo o seu esforço. E não crescemos, quando desfrutamos. O sonho nos faz crescer.
O sonho é uma ilusão. O sonho é um desejo descontrolado, que faz você batalhar, correr atrás de algo, que vai acabar um dia. Mas sem essa ilusão não vivemos. Sem essa ilusão, nosso mundo fica ainda mais vazio, não amamos, não compartilhamos, não nos alegramos, não fazemos a vida ser bela. Por isso, sonhemos! Amemos! E sejamos felizes!