Eu sou aquele que anda pelos vãos à meia-noite.
Que some na escuridão do abismo sem retorno,
Quando me vêem já estou a cercá-los
Por todos os lados.
Se amedrontam, e fazem
Expandir seu medo por todo o cosmo.
Seus gritos e gemidos se tornam uivos hediondos.
Os rostos tristes e melancólicos trazem
Na figura as marcas da morte e da dor.
Seus passos são errantes,
Sua tez é escura como carvão esfregado
Em piso branco.
Sua voz esganiçada chama os lobos,
Seus lábios trêmulos e ferozes
Impunham-lhes medo e fazem seus cabelos arrepiarem
Até ao chão dos seus pés.
Em meio à madrugada saem às ruas
E sua sombra é mais que suficiente para espantar multidões.
Os dentes tão brancos e tão reluzentes
Brilham à quilômetros.
Atraentes, predadores, noturnos,
Saem em busca da sua energia.
Os cabelos longos e lisos
De um castanho avermelhado de doer os olhos.
Sua beleza e magnificência chegam ao pico
De um padrão extravagante.
Assim mudam, ora monstros, ora príncipes.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Diga
Oi, eu não preciso
Nem do teu dinheiro
Nem do teu tempo
Nem da tua atenção
Nem da tua vela.
Olha pra mim e diz
Quem pensa que eu sou?
Um monge? um súdito? um miserável?
Diga o que quiser
Talvez um dia você acerte
Mas olhe pra mim
Eu pareço bom?
Pareço?
Finja lá fora que não me viu
Porque eu não estou aqui
Eu não estou aqui.
Vivendo por viver
Sem falar nem sentir
Sem ao menos dar valor
Então me diz se eu posso continuar assim
Com essa mente miserável
Com meus trapos
Com minhas desconfianças
Com minha vida que não vale nada.
Num mundo onde ninguém
Pode ser o que é
Ainda mais eu, que sonho
E penso em liberdade.
Eles te amarraram e querem
Que você obedeça
Mas não se submeta
Indigne-se e grite
Você não precisa fazer o que eles querem
Grite.
Diga a todos quem você é
E o que quer
Era pra ser assim
Não desista ainda
Você ainda tem forças.
Resista, continue
Você está quase chegando
Chegando na linha de chegada
Chegando no seu objetivo
Então continue
E faça-se ouvir a tua voz.
Grite bem alto
Sim, grite para todos saberem quem você realmente é.
Nem do teu dinheiro
Nem do teu tempo
Nem da tua atenção
Nem da tua vela.
Olha pra mim e diz
Quem pensa que eu sou?
Um monge? um súdito? um miserável?
Diga o que quiser
Talvez um dia você acerte
Mas olhe pra mim
Eu pareço bom?
Pareço?
Finja lá fora que não me viu
Porque eu não estou aqui
Eu não estou aqui.
Vivendo por viver
Sem falar nem sentir
Sem ao menos dar valor
Então me diz se eu posso continuar assim
Com essa mente miserável
Com meus trapos
Com minhas desconfianças
Com minha vida que não vale nada.
Num mundo onde ninguém
Pode ser o que é
Ainda mais eu, que sonho
E penso em liberdade.
Eles te amarraram e querem
Que você obedeça
Mas não se submeta
Indigne-se e grite
Você não precisa fazer o que eles querem
Grite.
Diga a todos quem você é
E o que quer
Era pra ser assim
Não desista ainda
Você ainda tem forças.
Resista, continue
Você está quase chegando
Chegando na linha de chegada
Chegando no seu objetivo
Então continue
E faça-se ouvir a tua voz.
Grite bem alto
Sim, grite para todos saberem quem você realmente é.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Elas
É tão bom escrever. Esse monte de palavras, todas postas em ordem, ou não, mas formando sempre um painel, extenso e lindo. Tantos assuntos pra se tratar, tanta gente pra falar, tanta música pra tocar, tanta coisa pra fazer, mas enfim, vamos escrever. Sobre as flores, sobre o mar, sobre família, sobre amigos, sobre o fogo, sobre a água, sobre a vida, vamos escrever. É tão bom! E as bibliotecas, que lugares maravilhosos. Aquela imensidão de livros, todos empilhados, amontoados, enfileirados, sistematicamente postos um ao lado do outro - esbanjando conhecimento. Uma fortuna de riquezas, uma fortuna de preciosidades. Se eu pudesse, passaria todo o dia e a noite lá dentro, a ler, a ler, a ler...
Mas também teria de passar tempos e tempos numa escola de Artes. Só o nome já faz com que meus olhos brilhem: Teatro, Pintura, Música, Desenho, Escultura, Artes Plásticas, Literatura...
O que mais me atrai nesse mundo é a Arte, e a Religião, e a Filosofia, e a Psicologia. Sem falar delas - criaturas maravilhosas, as obras-prima da Natureza, seres de tão delicada feição, de tão atraente tez, e as curvaturas do corpo, e o falar doce, os dentes brilhantes, os cabelos tão perfeitos, tão lisos, tão cacheados, tão chamativos, tão atraentes, a boca tão perfeita em seus contornos, todo o corpo de um deslumbre e beleza vibrante, fazem meu o coração palpitar, a querer saltar, fazem meu corpo estremecer, meu espírito ficar exaltado, e meus sonhos se tornarem cada vez mais altivos. Elas - que me fazem querer buscar cada vez mais e mais no prazer tempestuoso e nas carícias ternas. Com seus olhos faiscantes me atraem e com sua voz de canto me consomem. Tais são elas, mulheres, criaturas tão exuberantes, que fazem da minha vida o que ela é, tão altiva, tão ousada, tão sonhada, tão vivida.
Mas também teria de passar tempos e tempos numa escola de Artes. Só o nome já faz com que meus olhos brilhem: Teatro, Pintura, Música, Desenho, Escultura, Artes Plásticas, Literatura...
O que mais me atrai nesse mundo é a Arte, e a Religião, e a Filosofia, e a Psicologia. Sem falar delas - criaturas maravilhosas, as obras-prima da Natureza, seres de tão delicada feição, de tão atraente tez, e as curvaturas do corpo, e o falar doce, os dentes brilhantes, os cabelos tão perfeitos, tão lisos, tão cacheados, tão chamativos, tão atraentes, a boca tão perfeita em seus contornos, todo o corpo de um deslumbre e beleza vibrante, fazem meu o coração palpitar, a querer saltar, fazem meu corpo estremecer, meu espírito ficar exaltado, e meus sonhos se tornarem cada vez mais altivos. Elas - que me fazem querer buscar cada vez mais e mais no prazer tempestuoso e nas carícias ternas. Com seus olhos faiscantes me atraem e com sua voz de canto me consomem. Tais são elas, mulheres, criaturas tão exuberantes, que fazem da minha vida o que ela é, tão altiva, tão ousada, tão sonhada, tão vivida.
Passageiro
Como viver é bom..! No filme brasileiro Quase Dois Irmãos, o protagonista diz num momento: "Existem duas vidas. Aquela que vivemos e aquela que sonhamos." Bom quando essas duas se encontram, e conseguimos aproveitá-las. Nossas fantasias às vezes se tornam realidade e isso que parece colorir a vida. Ainda que cansamos, ofegantes continuamos seguindo, sempre esperando um futuro melhor. E esse futuro vem, inevitavelmente, o tempo vem. Já o que acompanha o tempo só nós podemos decidir.
A vida é tão doce, ela dá tantas voltas e se encontra sempre num ponto bom, de paz e tranquilidade, como estou aqui agora. Sei que de a pouco alguém pode se irritar perto de mim, ou até mesmo eu, mas e daí? Sempre passa, o sol sempre aparece depois, e a vida sempre volta a ser bela. Não me preocupo mais com os momentos de turbulência - são tão passageiros.
Existe o amor, a amizade, o carinho, o sol e as flores. Que adversidade pode ser maior que tudo isto? E bem maior ainda temos lá em cima Ele que cuida de nós. Então não há com o que se preocupar. A vida também é passageira, e creio que temos que correr - não afobados para fugir de algo, mas sim para fazermos o máximo de coisas boas e do bem nessa vida. Ler o maior número de livros, abraçar o maior número de pessoas, passar por quantos lugares pudermos, enfim, vamos correr, precisamos fazer o bem.
A vida é tão doce, ela dá tantas voltas e se encontra sempre num ponto bom, de paz e tranquilidade, como estou aqui agora. Sei que de a pouco alguém pode se irritar perto de mim, ou até mesmo eu, mas e daí? Sempre passa, o sol sempre aparece depois, e a vida sempre volta a ser bela. Não me preocupo mais com os momentos de turbulência - são tão passageiros.
Existe o amor, a amizade, o carinho, o sol e as flores. Que adversidade pode ser maior que tudo isto? E bem maior ainda temos lá em cima Ele que cuida de nós. Então não há com o que se preocupar. A vida também é passageira, e creio que temos que correr - não afobados para fugir de algo, mas sim para fazermos o máximo de coisas boas e do bem nessa vida. Ler o maior número de livros, abraçar o maior número de pessoas, passar por quantos lugares pudermos, enfim, vamos correr, precisamos fazer o bem.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Verdade
Às vezes sinto medo.
Isso me impele à buscar a verdade.
Não a refugiar-me na verdade,
A verdade não é refúgio,
A verdade é só a verdade.
E me pergunto o por quê,
De às vezes buscar a mentira.
São tantas.
Tantas mentiras e apenas
Uma verdade.
O medo impele à verdade.
A tranquilidade e a insegura à mentira.
Não iria querer assentir
Que devêssemos viver sob o medo.
Mas parece uma conclusão lógica
Se continuarmos naquela mesma linha
De raciocínio.
Viver sob o medo.
Não parece saudável,
nem justo.
Mas quem sabe seja a verdade.
Verdade.
Verdade.
Verdade.
Isso me impele à buscar a verdade.
Não a refugiar-me na verdade,
A verdade não é refúgio,
A verdade é só a verdade.
E me pergunto o por quê,
De às vezes buscar a mentira.
São tantas.
Tantas mentiras e apenas
Uma verdade.
O medo impele à verdade.
A tranquilidade e a insegura à mentira.
Não iria querer assentir
Que devêssemos viver sob o medo.
Mas parece uma conclusão lógica
Se continuarmos naquela mesma linha
De raciocínio.
Viver sob o medo.
Não parece saudável,
nem justo.
Mas quem sabe seja a verdade.
Verdade.
Verdade.
Verdade.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Boa alma
- Filho, só um minuto.
- Pois não.
- Estava vindo por aquele banhado ali, bem tranquila, quando três cachorros que iam passando avançam em mim.
- Puxa.
- Moro eu com meu velho só, a gente morava no S. Sebastião, aí viemos para cá.
- Ah sim.
- A gente tem um fusca, mas meu marido saiu, e eu tive que vir apé.
- Cansa né.
- O pior são esses cachorros, um me mordeu na canela, estou com medo até agora.
- Que coisa.
- Meus filhos moram pra lá, e somos pobres. É difícil ter que ficar andando por aí com perigo de cachorros soltos.
- Deveriam ter prendido.
- Tenho dois em casa, mas estão presos, nunca deixo que escapem.
- Assim que tem que ser.
- Bom, eu vou indo, muito obrigada pela atenção, você é um menino muito inteligente.
- Mora só a senhora com o velho?
- Sim.
- Espere um minuto.
- O que foi?
- Preciso te entregar isto.
- Não, não precisa, guarde.
- Por favor, aceite.
- Meu filho, você é um anjo que Deus colocou nesse mundo para ajudar as pessoas.
- Espero que sim.
- É evangélico?
- Graças a Deus.
- Vou à sua igreja qualquer dia.
- Isso, vai lá fazer uma visita, não pelo dinheiro, mas pela generosidade.
- Se cuide.
- Deus cuida de nós.
- Ele que te dê em dobro.
- Amém.
- Pois não.
- Estava vindo por aquele banhado ali, bem tranquila, quando três cachorros que iam passando avançam em mim.
- Puxa.
- Moro eu com meu velho só, a gente morava no S. Sebastião, aí viemos para cá.
- Ah sim.
- A gente tem um fusca, mas meu marido saiu, e eu tive que vir apé.
- Cansa né.
- O pior são esses cachorros, um me mordeu na canela, estou com medo até agora.
- Que coisa.
- Meus filhos moram pra lá, e somos pobres. É difícil ter que ficar andando por aí com perigo de cachorros soltos.
- Deveriam ter prendido.
- Tenho dois em casa, mas estão presos, nunca deixo que escapem.
- Assim que tem que ser.
- Bom, eu vou indo, muito obrigada pela atenção, você é um menino muito inteligente.
- Mora só a senhora com o velho?
- Sim.
- Espere um minuto.
- O que foi?
- Preciso te entregar isto.
- Não, não precisa, guarde.
- Por favor, aceite.
- Meu filho, você é um anjo que Deus colocou nesse mundo para ajudar as pessoas.
- Espero que sim.
- É evangélico?
- Graças a Deus.
- Vou à sua igreja qualquer dia.
- Isso, vai lá fazer uma visita, não pelo dinheiro, mas pela generosidade.
- Se cuide.
- Deus cuida de nós.
- Ele que te dê em dobro.
- Amém.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Palavras dignas de um louco!
Não consigo mais controlar minha loucura. Sinto que já estou atingindo uma nova fase, avanço mais e mais a cada semana. Meus distúrbios emocionais são cada vez mais intensos. Ontem me entreguei a uma explosão de cólera, nunca tinha deixado ela se exteriorizar, me irritava sempre e me irrito, mas o fato é que eu nunca tinha visto isto do lado de fora. Nesses últimos dias estou com uma obsessão tamanha por ser sincero, que se percebo que estou sendo um pouquinho hipócrita, já é motivo para a auto-punição. E me irritando ao máximo com uma circunstância tola, onde feito um serviço errado, tentaram fazer eu reconhecer meu erro dizendo que sempre fazia tudo errado. É claro que eu não faço tudo errado, de 20 serviços, talvez um saia errado, mas enfim, ignaros sempre generalizam. E o fato é que eu estava com pressa, tinha que ir até o centro de Curitiba na biblioteca trocar meus livros, já tinha-os em mente, Shakespeare e Bakunin. Naquela pressa minha cólera explodiu como nunca havia sido antes. Comecei a falar muito alto e a gesticular feito um louco, as razões desciam estampadas na minha mente, eu não deixava espaço para ninguém tentar me persuadir de algo diferente. Fiquei abismado depois da sessão, me orgulhei imensamente de mim mesmo, de poder alcançar o grau máximo da sinceridade, e não reprimir minha cólera. Me senti um Beethoven nos seus ataques de cólera. Depois disso me senti brando, calmo, o sangue corria tão alegre pelas veias...
Ora me sinto tão excitado emocionalmente, que desato em risadas, não gargalhadas, para que meus pais não pensem que eu cheguei a um ponto tão crucial. Bom, fato é que percebo que algumas coisas se repetem em mim com alguma frequencia, como esses ataques de riso. São coisas absurdamente idiotas que me fazem rir. Às vezes tenho vontade de ir a algum cemitério, desde garotinho eu sempre adorei ir aos velórios, lá dentro tinha alguém em prantos do lado do caixão, lá fora os outros falavam sobre negócios, contavam piadas, nós ficávamos correndo por dentre os túmulos, alguns ousavam pular em cima deles, eu não tinha nem medo, nem desconsideração, de qualquer forma aquele lugar me atraía e muito.
Por agora, estou absolutamente apaixonado pelo teatro, se pudesse estar todos os dias lá, estaria. Mas nem todos os dias tem espetáculo, nem todos os dias eu posso, nem todos os dias a galera aqui tá disposta a me dar uma carona. Bom, mas quero pular de ponta cabeça nesse mundo encantado e mágico da arte e da loucura, que se danem os outros. Começo com Shakespeare, juntando tudo que peguei dele para ler, soma umas 12 tragédias dele, ora, bom começo. Quero ler o teatro grego, e todos os outros grandes dramaturgos e autores de peças de teatro. Nomes martelam na minha mente: Bakunin, Wagner, Schoppenhauer, Schumann, Thaikovsky, todos apresentavam algum tipo de distúrbio emocional. Eu não admiro esses caras por opção, não, eu simplesmente me identifico com o caráter de cada um deles, que apesar de serem tão diferentes entre si, no fundo não passam de maníacos lunáticos, e é isso que me chama a atenção. Caras como Schubert, Mozart, Kant, Descartes, Haydn, são todos lúcidos, são todos normais, e fato é que eu os admiro na sua arte, no seu pensamento, mas não no seu caráter. Eu não sinto por ter essas inclinações, eu as tenho, as cultivo por saber que são minhas características, jamais quero ser ou voltar a ser hipócrita. Quero ser sincero em todos os lugares, quero seguir meus pensamentos, quero seguir minha arte, minha intuição, minha voz. E nada mais vai tirar essa minha devoção.
Às vezes fico quase depressivo, quero estar longe, questiono o por quê de ter que estar aqui, quando em verdade poderia estar em tantos outros lugares. Era autista, hoje não sou mais. Mas quando pareço estar quase atingindo a lucidez plena de minha existência, tenho crises, não sei em que pensar, não sei que fazer, parece que eu não deveria estar aqui, é como se uma força me privilegiasse com tantos talentos para ter sucesso, e outra força me jogasse na mesmice de todos os dias. Penso às vezes, que se tivesse tido em meus primeiros anos um estudo sistemático, talvez me teria tornado um prodígio. Por vezes imagino que sou um predestinado à castidade e santidade eterna, que devo me aprofundar em estudos religiosos, na busca pela purificação do espírito, pela ascensão espiritual. Penso também que posso ser um novo filósofo, que irá contribuir muito para o pensamento filosófico. Penso que posso ser um compositor ilustre, um pintor, um escritor de contos, alguém que veio para amar outra pessoa e morrer por ela. Ou se sou apenas um louco. Deixe que o tempo fale por mim, vou continuar na minha sinceridade e hei de descobrir quem sou e que missão tenho aqui.
Ora me sinto tão excitado emocionalmente, que desato em risadas, não gargalhadas, para que meus pais não pensem que eu cheguei a um ponto tão crucial. Bom, fato é que percebo que algumas coisas se repetem em mim com alguma frequencia, como esses ataques de riso. São coisas absurdamente idiotas que me fazem rir. Às vezes tenho vontade de ir a algum cemitério, desde garotinho eu sempre adorei ir aos velórios, lá dentro tinha alguém em prantos do lado do caixão, lá fora os outros falavam sobre negócios, contavam piadas, nós ficávamos correndo por dentre os túmulos, alguns ousavam pular em cima deles, eu não tinha nem medo, nem desconsideração, de qualquer forma aquele lugar me atraía e muito.
Por agora, estou absolutamente apaixonado pelo teatro, se pudesse estar todos os dias lá, estaria. Mas nem todos os dias tem espetáculo, nem todos os dias eu posso, nem todos os dias a galera aqui tá disposta a me dar uma carona. Bom, mas quero pular de ponta cabeça nesse mundo encantado e mágico da arte e da loucura, que se danem os outros. Começo com Shakespeare, juntando tudo que peguei dele para ler, soma umas 12 tragédias dele, ora, bom começo. Quero ler o teatro grego, e todos os outros grandes dramaturgos e autores de peças de teatro. Nomes martelam na minha mente: Bakunin, Wagner, Schoppenhauer, Schumann, Thaikovsky, todos apresentavam algum tipo de distúrbio emocional. Eu não admiro esses caras por opção, não, eu simplesmente me identifico com o caráter de cada um deles, que apesar de serem tão diferentes entre si, no fundo não passam de maníacos lunáticos, e é isso que me chama a atenção. Caras como Schubert, Mozart, Kant, Descartes, Haydn, são todos lúcidos, são todos normais, e fato é que eu os admiro na sua arte, no seu pensamento, mas não no seu caráter. Eu não sinto por ter essas inclinações, eu as tenho, as cultivo por saber que são minhas características, jamais quero ser ou voltar a ser hipócrita. Quero ser sincero em todos os lugares, quero seguir meus pensamentos, quero seguir minha arte, minha intuição, minha voz. E nada mais vai tirar essa minha devoção.
Às vezes fico quase depressivo, quero estar longe, questiono o por quê de ter que estar aqui, quando em verdade poderia estar em tantos outros lugares. Era autista, hoje não sou mais. Mas quando pareço estar quase atingindo a lucidez plena de minha existência, tenho crises, não sei em que pensar, não sei que fazer, parece que eu não deveria estar aqui, é como se uma força me privilegiasse com tantos talentos para ter sucesso, e outra força me jogasse na mesmice de todos os dias. Penso às vezes, que se tivesse tido em meus primeiros anos um estudo sistemático, talvez me teria tornado um prodígio. Por vezes imagino que sou um predestinado à castidade e santidade eterna, que devo me aprofundar em estudos religiosos, na busca pela purificação do espírito, pela ascensão espiritual. Penso também que posso ser um novo filósofo, que irá contribuir muito para o pensamento filosófico. Penso que posso ser um compositor ilustre, um pintor, um escritor de contos, alguém que veio para amar outra pessoa e morrer por ela. Ou se sou apenas um louco. Deixe que o tempo fale por mim, vou continuar na minha sinceridade e hei de descobrir quem sou e que missão tenho aqui.
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