quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bons tempos

Saía para fora de casa na certeza de que alguém estaria a me esperar no portão. Era sentar no meio fio e dali dez minutos cercado eu estava, amigos, garotas, crianças, alegria, risos, vida. Todos me olhavam com olhos de gratidão, de bondade, de amizade, de benevolência, de carinho, de amor. Via-lhes nos olhos a alegria de estarem sentados do meu lado. A admiração, o bom estado de nossas almas. A certeza de não estar sozinho, de ter amigos verdadeiros, de tê-los comigo sempre que precisasse. O abraço, o aperto de mão sincero, a brincadeira sem malícia, o olhar jubiloso, a alegria vibrante. Tais eram meus dias. Bons tempos! Parecia tudo tão simples, hoje parece-me que passou tudo tão rápido.
Hoje, ao sair para fora não tenho mais fé em encontrar um sorriso sincero, um aperto de mão digno, um abraço amigo, uma palavra doce, uma sintonia. Tudo que tenho é um aceno de cabeça por obséquio, um bom-dia sem vontade, um aperto de mão rápido e insensível. Esta é minha vida agora, estes são meus dias, sem cor, sem amor, sem vida. Como sou infeliz ..!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amar

Quem diria hein, depois de tempo sem profundos sentimentos, sem apertos no peito, sem lágrimas nos olhos, sem lugares encantados, sem pensamentos mágicos, sem música com alma, sem calorosas emoções, agora estou aqui com o coração novíssimo outra vez, pronto para amar novamente. E eu a encontrei. Como nunca a vira antes, linda, loira, encantada, perfeita. Sim, ela já está ganhando meu coração, e eu outra vez sem censuras quero me entregar de corpo e alma a esse novo amor. Vale a pena chorar, vale a pena sorrir por um amor, vale a pena sonhar e viver apaixonado, por ela, por todos, pela vida! Tudo é festa quando o amor toca o coração. E eu o sinto outra vez bater, estou abrindo essa porta para ele entrar e fazer daqui sua mais nova morada. Serei o amante mais devoto a ela, não importa quantas vezes quebrei a cara, quantas decepções, quantas mentiras, quantas desilusões, eu amo e continuarei amando. Enquanto esse peito tiver fôlego, enquanto meus lábios puderem se mover, e meus olhos abrirem, eu viverei cantando e sonhando. Flores, corações, violinos, muita música, muita poesia, eu voltei amar. Eu voltei a ver a vida colorida, eu voltei a ser jovem, eu voltei a ser vivo!
Toquem trombetas, voem pássaros, sopre o vento, brilhe o sol, caia a chuva, acenda coração, não temos mais medo de viver por amor. Não temos medo mais de cantar serenatas à janela da bem-amada. Não temos medo mais de ser feliz. Tudo que sabemos, é que a vida é bela enquanto se tem amor. E que cantando, saltando, gritando e sorrindo nós vamos viver a vida! Passem os arames, os buracos na estrada, os rios, a neblina, o pássaro da desilusão, nada fará com que paremos de acreditar que amar e sonhar valem a pena! Que rasque nossa roupa, que molhemos os pés, que saltemos as pinguelas, o importante é viver! E se, porventura, lá na frente estivermos tristes, olhemos pra trás e lembremos: Sofri, me machuquei, estou exausto, mas amei, com todas as minhas forças eu lutei por um amor e venci. Eu vivi a vida!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Impressões!

hôhôhô
Prossegues-te em vantagem
Olha a capa
está suja!
Quão vulneráveis somos!
E com que facilidade nos entregamos!
Hoje, dia de sol, dia de chuva,
Uma voz vem do céu
Eu não a ouço
Mas meu querido a ouve
Ele é minha impressão
Não minha consciência!
Que insensatez seria dizer que impressões são parte da consciência!
Isso é absolutamente subjetivo!
Subjetivo - a mim.
Quanto o sou!
Quanto acredito ser!
Mas uma dama de vermelho estás a caminhar por aquela passarela e a olhar-me!
Talvez me conheça, talvez não.
Ou de uma outra vida, quem sabe.
Azul e alaranjado. Por que essas cores?
Por que não vermelho e verde?
Por que mãe é mãe e pai é pai?
Por que vizinho é vizinho e tia é tia?
Por que eu sou tão infantil e penso ser tão adulto?
haha
Aí está!
Tenho 18 anos, mas nada que faço corresponde a essa idade!
Num minuto sou um garoto de 8 anos e noutro sou um velho de 50!
Nada absolutamente vai fazer eu parar de acreditar que a vida é sim, curta!
E eu também não acredito que esteja a perder meu tempo escrevendo!
E escrevendo ainda pra ninguém ler , porque nunca ninguém entra nesse blog!
Você tem que comentar nuns 50 pra receber um comentário!
Aos diabos com suas idéias!
Eu tenho as minhas, ou não.
Acho que não passam de impressões!
Impressões! Bom título pra esse post!

Obscuro

Terceiro de hoje, foda-se.
A cada instante, um estado de espírito.
A cada volta, uma moeda, um símbolo, uma luz.
Acho que achei uma palavra que me define: obscuridade!
Oh, obscuridade, quão grandiosa sois!
Teus olhos negros escondem a negligência de uma geração incrédula!
Teus passos seguem-me como os me seguiam a luz!
Que tenho eu em querer-te a ti?
Que tens tu em querer que eu te siga?
Tu, que fere meus sonhos em pesadelos!
Que faz do meu pesar o meu desespero!
E que faz despedaçar minha alegria em nada!
Tu, a quem sou grato! A quem detesto!
Que faz eu me contradizer!
Que me mostra o caminho e a luz!
Só quem está em trevas reconhece a beleza da luz!
Já ouvis-te antes?
Não, creio que não.
Unges-me!
Que palavra! Que encanto! Que espetáculo!
Profano, não conheço a ti, retiras tu e teus pertences da minha vida!
Pois ainda tenho anseio das coisas divinas!
E do Evangelho quero fazer minha regra de conduta!
Já deverias tê-lo feito há muito!
Mas a escuridão da loucura e da insensatez me oprime.
Deixa eu ser livre!
Deixa eu ser lúcido!
Lá vou-me outra vez!
Tez!
Preconceito!
Talvez eu o tenha!
Ora, meu pai é!
Que tens?
E a aversão, não te lembras?
Sim, mas não parece tão incômodo!
Tu o tens, sossega-te!

Vós,

Se num momento pretendo estar a teu lado
Perdoai tudo quanto tenho feito de insensato
E não queira eu que teu pai se indignes
Do que tenho feito a ti
Porquanto tudo que tenho feito
Muito e pouco
Tem sido de coração
E assim desejo continuar
Caminhando, olhando, cuidando
E escutando toda voz que brota de dentro da minha alma
Em nada censureis aos que choram
E nem tampouco intente teu coração contra os que buscam
satisfazer-se a si mesmos
Ora, não seguindo o que tu queres
Seguem aos seus corações
E aos seus princípios
E ninguém os deve impedir
Porque em verdade nada são
Mas e nós, que somos?
Uma pergunta insensata,
Que deveras está junta a sua respectiva resposta insensata
Nada temos a querer saber sobre isso
Porque não criamos a nós mesmos.
Ora, vejam, parece-me que estou a ponto de estar lúcido
Mas ainda não o creio de todo
Vejam que aqui estou a escrever
Não o que acho certo
Mas o que me ocorre
Essa é a sinceridade da minha alma
Acho que estou a ponto de resgatar
meu inconsciente através da escrita
Que o sejas
Sinto enquanto escrevo, um calor no rosto
E meus olhos se alternam do teclado ao monitor
Sinto minhas mãos formigarem
E a dor nas costas não é tão evidente,
talvez em virtude da minha postura correta,
porém inconsciente
Ao além com as regras ortográficas, com a pontuação
e com as vírgulas
Devo estar a assassiná-las e a negligenciá-las
Mas que importa
Tudo que quero é minha arte a par da minha sinceridade
Da minha integridade espiritual
É isso
Tantas idéias me ocorrem
Tantas palavras que não cessam de me infernizar
implorando a eu colocá-las em algum lugar,
a exteriorizá-las!
Aí estão vocês, palavras.
Se a fortuna fizer com que algum indivíduo
de espírito piedoso as leiam, tanto melhor
E se assim não for, fiquem aí a esperar.
Concedi a vocês o desejo
Agora deixem-me, aproveitar essa vida
A tirar alguma dúvida lá fora, no mundo,
Onde as coisas acontecem!

A queda

Apascentai os que choram, e chorai com os que se alegram
Falai dos audaciosos e praguejai contra os incrédulos
Berrai a prantos a morte do salvador
E regozijai-vos dos desígnios do mestre
Entrei por dentre as portas da Jerusalém
E habitai nos teus tabernáculos
Sê-de incrédulos filhos, sê-de pacientes
Sê-de queridos, sê-de desejados
Porque nada além do às habita o Ser
E por nada se fará um pranto se querer habitar
no seu tabernáculo.
Que hás de haver
Que farás de ti
Que perfídia habita em tudo quanto fazes
E que zombeteira se torna tua mulher infâmia
Que palavras dóceis e afáveis vês
Que júbilo suave sentis
Quando em verdade nada há que o faça ver
O brilho celeste que brota e desce do celeiro celeste
Olhais, não para os montes
Mas para mim
Que cá estou a ajudar-vos
Pedi o que quereis
Desejais vossas paixões como a quem persegue
O lobo
Estais prontos a fazer o que ordeno
E estejais a ponto de uma só canção entoar
Portanto ide, e falai a todos que precisam ouvir
O que aqui ouvistes
E nunca, nunca
Deixais de olhar o pôr-do-sol
Este é o meu sinal.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sozinho

O celular pousado no colo, foninho no ouvido, Mix. Entro no Orkut, dois recados, um de agradecimento e o outro corrente. Fiquei alguns dias sem mandar nenhum recado, exceto o de parabéns a quem fazia aniversário. E como eu pensava, ninguém me mandou recado, nem pra perguntar como eu estou, o que eu ando fazendo, que são perguntas frequentes... Senti qualquer vontade de escrever a alguém, eu queria poder apontar alguém dali, daquela página de amigos, e dizer Em você sim eu posso confiar! Mas não encontrei ninguém. Passava o cursor de amigo em amigo e em nenhum eu senti 'comunhão' para dizer aquelas prezadas palavras citadas acima.
E então eu me pergunto Por que sou tão incapaz de confiar em alguém?! Eu devo ter pego trauma na infância, de pessoas. Acho que confiei demais nas pessoas, esperei delas o melhor, pensei que as pessoas fossem anjos, mas me enganei perfeitamente e quando percebi que as pessoas são o que são, mesquinhas, egoístas, hipócritas, decidi me afastar e me prender a mais profunda solidão. Sabia que sozinho poderia conhecer-me melhor, poderia aproveitar as boas coisas da vida, sozinho. Na minha solidão eu inventaria um mundo perfeito, onde não existisse pessoas falsas, nem violência, nem guerra. Meu mundo seria cheio de alegria, e minha companhia seria meus amigos imaginários, meu mundo seria colorido, feliz.
E num belo dia chega uma daquelas pessoas ignaras, que pensam ser donas da verdade e diz Não se deve viver de fantasias, a realidade é esta, e esta que deve ser vivida. E mostra: trabalho, família, sociedade, comprar, vender, reciclar. E eu digo Realidade de quem? Tua? Quem tem o direito de me impor isso, e dizer que deve ser a minha realidade? A minha realidade é o mundo que eu crio, o mundo como eu o enxergo, a minha realidade sou eu. O mundo é um espelho, e nós vemos nele o nosso reflexo. Como sou, assim ele é.

-

Detesto tanto seguir como conduzir.
Obedecer? Não! E governar, nunca!
Aquele que não é terrível para si, não incute terror a ninguém,
E só aquele que inspira terror pode comandar os outros.
Já detesto guiar-me a mim próprio!
Gosto, como os animais das florestas e dos mares,
Acocorar-me, sonhando, em desertos encantadores,
De me chamar a mim mesmo, por fim, de longe,
E de me seduzir a mim mesmo.

(Nietzsche - O Solitário)